Fazer 25 anos é uma coisa um pouco assustadora. Já se vende cremes anti-rugas para moças dessa idade. Os 30 anos estão mais próximos que os 15, que por sinal, lembro-me deles como se fosse ontem... Minha mãe, com essa idade, já tinha casado, tinha uma filha, e estava prestes a se divorciar! E eu nem namorado tenho! E ainda que tivesse, casamento seria um plano que não estaria na minha mente. Pelo menos no momento.
Chego aos 25 anos com espírito adolescente. É bom demais ter um espírito jovem, mas hoje, especialmente hoje, isso me preocupa muito! Quando pequena, 25 anos parecia uma idade de perfeição e maturidade. Já teria um emprego dos sonhos, uma casa dos sonhos e um marido igualmente encantador! As pessoas de 25 anos me passavam essa imagem: são independentes e grandiosas! E cá estou eu, do auge de meu ¼ de século, me perguntando se, aos olhos das crianças, serei eu uma pessoa tão admirável assim? E me assusta muito pensar que não me destaco tanto. Sim, já fiz coisas admiráveis, poxa! Não é pra menosprezar minhas experiências também! Não é qualquer um que chega aonde cheguei, que passa pelas experiências que passei, conhece as pessoas que conheci, os lugares que visitei... Mas ainda não saí de casa, minha mãe ainda paga a maioria das minhas contas e minha vó continua lavando minhas roupas. E arrumando meu quarto. E fazendo a comida. Que por sinal, eu não sei fazer! Não tenho minha casa ou meu carro. Minha aquisição mais cara até hoje foi a TV do meu quarto e meu maior sonho até hoje é conhecer a Disney.
Chego até aqui e ao olhar pra trás fico preocupada. Sou adulta, mas ainda tenho muito de menina. Já deveria ser totalmente adulta? Chego até aqui e ao olhar pra frente fico temerosa. Se não sou totalmente adulta, o que está por vir vai me tornar uma? Serei uma adulta diferente da menina que fui e que sou? Vou mudar, é certo, mas será que vou mudar muito? Mudanças são temidas, mas como diria Martha Medeiros, não há outro combustível para essa travessia. E é assim que atravesso para o próximo ¼, com todos meus sonhos, desejos e esperanças infantis! Mas carregando toda minha experiência adulta para, nessa nova fase, encontrar um meio termo entre ser a eterna menina e a grande mulher!
E parabéns pra mim!

