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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Depois...


Pra eu ressuscitar este blog e desnudar minha alma como vou fazer agora, é porque maior que a vontade de desabafar e que a necessidade de aconselhar, só a saudade que apertou hoje...

Era 9 de setembro de 2012, quando meu pai, num ímpeto de cumprir um almoço de aniversário prometido desde o último 24 de agosto, me encontrou na missa de domingo. E depois de todas as conversas sem sentido costumeiras, todas as gracinhas e piadas de meus irmãos, na hora de me deixar na porta de casa, lembro com carinho do vovô e pergunto:

- Pai, como está o vô?
- Está bem branca, quer ir lá visitá-lo?
- Depois vamos! Estou cansada e preciso dormir...

Eis que exatas duas semanas depois chegou a notícia de que ele havia partido. Meu depois nunca chegou. No seu lugar, chegou a maior lição já aprendida assim, na marra mesmo: Não existe depois. E ponto. É isso.

Não deixe nada pra depois, e principalmente, não deixe as pessoas pra depois.

Não espere pra pedir desculpa, ou pra perdoar... Pra visitar ou pra ligar... Pra dar um beijo, ou um cafuné, ou pra abraçar... Pra dizer que ama, pra dizer que está com saudade, pra dizer que magoou, mas já passou. Ou pelo menos vai passar... Porque tudo passa, até a dor ou a raiva! O que fica são só as lembranças, o carinho imenso demonstrado nos menores gestos, as atitudes que te fazem ser único! A gentileza e o bom caráter! O cuidado, e principalmente o amor! E quer um conselho maior? Você precisa fazer isso hoje! Agora! Porque o que temos é só o hoje, e o agora! Depois? Não existe depois...


* Obrigada vô, por ter deixado tanta lembrança boa! Por ter estado sempre presente! Por me fazer chorar a cada vez que vejo um envelopinho! Por tanto cuidado... Cuida de mim! E Deus, cuida dele por mim!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Saudade



Certa vez li um artigo que dizia ser “saudade” a 7ª palavra mais difícil de ser traduzida, de acordo com as opiniões de mil tradutores profissionais. A palavra vencedora foi "Ilunga", uma palavra africana para descrever "uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez". Saudade foi definida como “sentimento nostálgico, sentir falta de alguma coisa ou alguém”, mas na oportunidade foi claramente especificado que o significado não é consensual.

Saudade é uma palavra usada só por aqui. Começou a ser usada na época em que o Brasil ainda era uma colônia, e serviu para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, a melancolia causada pela lembrança, e a mágoa que sentiam por estarem longe de entes queridos.

Analisando a etimologia da palavra, em latim solitas ou solitatis é solidão, na forma arcaica de soedade, soidade e suidade. Salute, salutatione, salutare é saúde ou saudar, o que faria de saudade uma junção de solidão e saudação, exprimindo o sofrer de quem fica a esperar o retorno de quem partiu.

Traduzir tudo isso realmente não é tarefa fácil. Saudade não é só sentir a falta de algo que não existe mais, de alguém que partiu... É possível sentir saudade de uma pessoa que ainda está presente, sentir saudade de quando o filho era neném, do marido na época do início do casamento. É possível sentir saudade de um lugar que ainda existe, mas que foi visitado num momento único. É possível sentir saudade de uma música que ainda está disponível para download, mas que jamais será ouvida com o mesmo carinho que fora no passado. Que jamais remeterá à mesma pessoa a quem remeteu um dia. Que jamais será dançada com o mesmo entusiasmo. Dá pra sentir saudade de um sabor, de um cheiro...

Saudade é lembrança boa e ruim ao mesmo tempo, é a esperança do reencontro, é a sensação repentina de passado, é um aperto no peito, uma gastura sem fim, a dificuldade de engolir. É o que fica do que não pode ficar, do que não pode mudar... Saudade é o que tá apertando meu coração agora que tô escrevendo isso aqui...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mineirês


Tem coisa que só mineiro tem: ser sócio de pelo menos um clube, passar férias em Guarapari ou Cabo Frio, comer o pão de queijo mais gostoso dessa vida, ser convidado pra pelo menos um churrasco nos fins de semana de verão, ir a festas feitas pra batata, pro milho ou pra cerveja no inverno, viajar pra praia e sentir falta de uma serra no horizonte... Mas se tem uma coisa da qual eu gosto e sinto orgulho de ter é o sotaque! E sempre tem algum fato que acontece que me faz ficar mais orgulhosa ainda dessa língua particular! O texto Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?, de Felipe Peixoto Braga Netto, alagoano apaixonado por Minas Gerais, infla meu ego. Conversar com pessoas de outros estados e perceber como meu sotaque é bem típico, vixe! Certa vez um primo de Brasília queria ter aulas de mineirês. Tal qual como num curso de inglês, ou francês. Queria aprender mineirês. Tudo por conta de um simples “arreda”. Qual é a desse povo que não entende o significado da palavra “arreda”? E quando a aplicamos numa frase é que eles ficam confusos mesmo!

- Primo de Brasília, red’um cadim pra lá?
- Ãhn?
- Arreda um cadinho pra lá? Não, não precisa levantar, é só arredar!

Pronto! Aulas básicas de iniciação: Tire o D das palavras, fazendo olhando virar olhano, e se virar espiano, melhor ainda! Faça o cuidar virar tomar conta, e quando estiver tomando conta, aproveita pra praticar: Tô tomano conta. Ah é, tem disso: estou é tô! Por fim, faça o virando virar virano. Reduza você pra ocê, e quando puder emendar, emenda! Com você vira cocê, pra você, procê, de você, docê. Em você, nocê, e se for em mim, é ni mim! Não é num, vamos é vão, pouco é bocado, pouquinho é poquim, que é bocadim, que é aquele cadim, usado lá na frase do arreda! Entendeu? Agora aplica:

- Num sei usar o docê. Vão aprender?
- Ora, mas é muito simples: “Gosto docê demais da conta!”
- Que lindo! Nunca vou aprender a falar assim.
- Tenho uma idéia melhor! Que tal intercâmbio?
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