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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Saudade



Certa vez li um artigo que dizia ser “saudade” a 7ª palavra mais difícil de ser traduzida, de acordo com as opiniões de mil tradutores profissionais. A palavra vencedora foi "Ilunga", uma palavra africana para descrever "uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez". Saudade foi definida como “sentimento nostálgico, sentir falta de alguma coisa ou alguém”, mas na oportunidade foi claramente especificado que o significado não é consensual.

Saudade é uma palavra usada só por aqui. Começou a ser usada na época em que o Brasil ainda era uma colônia, e serviu para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, a melancolia causada pela lembrança, e a mágoa que sentiam por estarem longe de entes queridos.

Analisando a etimologia da palavra, em latim solitas ou solitatis é solidão, na forma arcaica de soedade, soidade e suidade. Salute, salutatione, salutare é saúde ou saudar, o que faria de saudade uma junção de solidão e saudação, exprimindo o sofrer de quem fica a esperar o retorno de quem partiu.

Traduzir tudo isso realmente não é tarefa fácil. Saudade não é só sentir a falta de algo que não existe mais, de alguém que partiu... É possível sentir saudade de uma pessoa que ainda está presente, sentir saudade de quando o filho era neném, do marido na época do início do casamento. É possível sentir saudade de um lugar que ainda existe, mas que foi visitado num momento único. É possível sentir saudade de uma música que ainda está disponível para download, mas que jamais será ouvida com o mesmo carinho que fora no passado. Que jamais remeterá à mesma pessoa a quem remeteu um dia. Que jamais será dançada com o mesmo entusiasmo. Dá pra sentir saudade de um sabor, de um cheiro...

Saudade é lembrança boa e ruim ao mesmo tempo, é a esperança do reencontro, é a sensação repentina de passado, é um aperto no peito, uma gastura sem fim, a dificuldade de engolir. É o que fica do que não pode ficar, do que não pode mudar... Saudade é o que tá apertando meu coração agora que tô escrevendo isso aqui...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sorte no jogo


Já conhecem essa velha história né? Azar no jogo, sorte no amor. Vou poupá-los de toda minha história amorosa e resumir simplesmente assim: tenho MUITA sorte no jogo. Na verdade não tenho não! Tenho azar no jogo, azar no amor.

Assim como num jogo, a vida é feita de pontos e regras. Existem regras a serem seguidas e, uma vez não cumpridas, levam à perda de pontos. Ao que me parece, nos relacionamentos, uma ramificação da vida, é essa a regra prevalecente: a maioria das pessoas, ao se relacionarem com outras, aproximam-se por admiração e, na medida em que o tempo passa, que as conhecem melhor e que experimentam suas atitudes, subtraem pontos. Fez algo certo, ok! Seu conceito ainda ta em alta! Fez coisa errada? Perdeu ponto. Ou pontos...

Nunca aprendi essa regra. Ou me ensinaram errado. Ou aprendi errado, não sei. Ao se aproximar de mim, uma pessoa é neutra. Ou ainda, errada (tem aquelas pessoas que o santo simplesmente não bate...). Fato é que a pessoa permanece assim até mostrar acertos e então ganhar pontos.

Mas jogar com regras inversas pode ser perigoso, e nos fazer perder no final das contas. Perdi grandes amigos desde a infância ao distribuir pontos enquanto, do outro lado, eu só perdia. E foi assim que cheguei aos relacionamentos: com o azar de jogar invertido! Com o azar de ir agregando pontos a pessoas que só os subtraíam de mim. E quando eu finalmente conseguia classificar um vencedor, eu saía perdedora...

Talvez o amor não seja questão de sorte, não seja questão de azar. Talvez o amor seja simplesmente questão de achar uma pessoa que joga usando as mesmas regras que você. Para aí sim, se ter dois vencedores! Isso sim requer sorte!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A verdade sobre o 12 de junho


Aproxima-se mais uma vez o dia dos namorados no Brasil e, pra variar, estarei solteira. Solteira e cega dessa vez, pois farei uma cirurgia de correção da visão a laser no dia 10 e só volto a enxergar no dia 15. Um ótimo método para, literalmente, não ver o 24º dia dos namorados solteira passar de novo.

A verdade é que nunca entendi esse dia dos namorados brasileiro. O mundo inteiro comemora o dia, chamado por aí “Valentine’s day”, no dia 14 de fevereiro. Aqui no Brasil, fevereiro é sinônimo de carnaval na maioria dos anos, a maior festa da perversão nacional. Como comemorar o dia dos namorados no meio dessa festa, onde todo mundo só quer saber de pegação? Como ficaria o comércio? Pra não prejudicar ninguém, tentaram jogar a data pro dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, e é aí que eu não entendi mais nada, porque o dia dele é 13 de junho e o dos namorados dia 12. Essa é a minha verdade.

A verdade sobre o dia dos namorados (14 de fevereiro) é que, num período de guerras na Idade Média, um imperador proibiu o casamento por acreditar que soldados solteiros combatiam melhor. Contrário a essa idéia, um bispo, o tal do Valentim, continuou a celebrar casamentos. Porém, foi descoberto, preso e condenado à morte, executada em 14 de fevereiro. Só que, durante o período em que estava na prisão, além de receber várias flores e recados de jovens dizendo que ainda acreditavam no amor, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e devolveu-lhe a visão, o milagre que o tornou santo. Em sua carta de despedida para a moça assinou: Your Valentine (seu Valentim), termo que passou a ser usado para namorado. A data foi então adotada para enviar cartões e presentes a quem se ama, como namorados, amigos e familiares.

Seguindo esse espírito, no cursinho de inglês mandávamos cartõezinhos aos amigos, e certa vez, ganhei um bilhete escrito: “Be your own Valentine” (seja seu próprio amor). Essa verdade sim é apropriada a todas nós, as pessoas solteiras nesse dia. É sempre importante amar a si mesmo. E melhor que ficar se lamentando por passar o dia dos namorados mais uma vez solteira, é ser bem resolvida o bastante para elevar o nível do dia e enviar o seu amor aos amigos e à família. O dia não tem que se resumir ao amor dos namorados, mas simlesmente ao amor! Já deixo aqui antecipado todo meu amor à vocês! Tenham um lindo 12 de junho!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Over the rainbow



E aí que tanta gente discutiu a possibilidade de haver ou não união estável entre um casal homossexual que a questão entrou na pauta e vai ser analisada, e mais, decidida, pelo Supremo Tribunal Federal. A questão me afeta de duas maneiras: primeira, sou advogada e tudo que o STF decide me interessa. Segundo: não, eu não sou gay. Penso que a vida seria até mais fácil se eu não tivesse que me envolver com homens, esses seres ainda misteriosos pra mim, mas não tive essa sorte. O segundo motivo é ter amigos muito próximos e extremamente queridos que são. Vários! E há um tempo atrás, quando escrevia sobre minhas amizades com mulheres, falei que haveria um tempo pra falar sobre minhas amizades com gays e com homens. Pois bem, chegou o dia de falar dos meus amigos gays, hoje, 05/05/11, segundo dia do julgamento conjunto da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4277 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 132, em que se discute a equiparação da união estável entre pessoas do mesmo sexo à entidade familiar.

Ter um amigo gay é mais que ter um amigo gay. É ter uma pessoa que te dá conselhos na visão de um homem ou de mulher, pois sabe como chamar a atenção daquele carinha que estamos tentando paquerar há tempos ao mesmo tempo que está sempre atualizado sobre as tendências da moda. Conhece as melhores baladas, e tem pique suficiente pra te acompanhar em todas! É sincero e possui uma língua venenosa, seja pra falar do ex, seja pra falar da baranga que roubou o ex! São carinhosos, companheiros, doces, conselheiros, divertidos e têm amor de sobra! Além desse rótulo que a sociedade insiste em colocar, existem seres incríveis! Além do arco-íris, existe muita purpurina!

Essa questão a ser decidida pelo STF gira em torno não só da decisão política, religiosa, ou mesmo da hetero ou homossexualidade, mas em torno do coração humano. E se isto soa cafona, que seja. O próprio ministro Ayres Britto foi cafona em seu voto, e se fez brilhante. Nesse mundo hostil em que vivemos hoje em dia, existe um grupo de pessoas em busca do seu direito de amar. Grupo que pratica o amor e o respeito de forma tal que só quem é, ou tem um amigo gay, sabe do que estou falando. Grupo que assim como eu, ou como você, só está na busca de ser um pouco menos sozinho. Quero dizer aos meus amigos gays que estou ao lado de vocês nessa busca. Quero um mundo composto por pessoas que se amam e se protegem. E daí se são "dois homens" ou "duas mulheres"? Quero o direito dos meus filhos de crescerem num país que não faz leis de acordo com fantasias. Quero que a felicidade seja dividida com todos que a buscam, sejam eles quem for!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Comer Rezar Amar


Com esse título, esse post poderia falar sobre mim! Uma pessoa que se resume a isso: comer, rezar, amar. O resto das coisas que faço são, ou conseqüências desses três atos, ou mero preenchimento de horas vagas. Mas vou falar do filme, que leva o mesmo título!

Tudo começa quando Liz e seu marido decidem que ela sossegaria, teria filhos e se dedicaria mais ao lar. Sem ter certeza de que é isso que realmente quer naquele momento, ela se desespera ao ouvir o marido dizer que vai voltar pra faculdade, e como atitude desesperada ela começa a rezar, costume que nunca tinha tido até então. Resolve sair do casamento e já engata em outro relacionamento, com um ator “zen” que desperta nela um lado religioso. Percebendo que com ele teria um casamento com rumo similar ao primeiro, decide fazer uma viagem pela Itália, Índia e Indonésia. Os três destinos escolhidos começam com a letra I, tradução do inglês para EU, que revela sua busca pessoal, e é nessa viagem que percebemos a complexidade do universo feminino.

Sua estada na Itália foi recheada dos prazeres da gula! Bate aquela fome ao assistir o filme! Além do prazer encontrado no comer sem culpa, no comer sem se preocupar em engordar, no comer até se fartar, ela ainda descobre o prazer de não fazer nada, pregado pelos italianos. Na Índia, ela se dirige ao templo da guru do último namorado. Confronta ali a dor da qual pensava já estar curada para, finalmente, perdoar-se. Conta, para isso, com a ajuda de dois amigos: Tulsi, uma jovem indiana que sonha seguir carreira como psicóloga, mas acaba num casamento arranjado, e Richard, um texano que a leva a conhecer seus próprios limites. Finalmente, em Bali, Liz reencontra um xamã que conhecera outrora. Conhece ainda três figuras que se tornarão importantes na sua história: uma doutora da floresta, sua filha, e Felipe, um brasileiro interpretado pelo charmoso espanhol Javier Bardem.

História, trilha, fotografia, atuações, tudo em harmonia para um filme nota 10. Para quem gosta de viajar, um despertar da vontade de embarcar no próximo avião. Para quem gosta de comer, uma coceirinha na mão pra dar pause e preparar um lanchinho. Para as mulheres, uma reflexão, e para os homens, um passeio para o complexo universo feminino, seja o de uma menina de 04 anos, seja o de uma idosa de muitos anos!

P.S.: Feliz aniversário Aninha! Companhia perfeita, seja pra comer, seja pra rezar! Quanto ao amor, dedico o meu todo a você hoje!

terça-feira, 22 de março de 2011

Sheila morreu mas continua vivendo em Nova York


Que vergonha! Não por andar por aí com um livro que muitas pessoas literalmente julgaram pela capa! Cansei de ver pessoas me olhando com um olhar duvidoso, pensando, imagino eu, o que muitas outras pessoas falaram: Romance pornô, Natália?

Não, não é um romance pornô! E não, minha vergonha definitivamente não se atém a esse detalhe. Sinto vergonha de, sendo uma fã incondicional de leitura, jamais ter falado de um livro sequer num blog que já escrevo há oito meses! Vergonha de ter ganhado esse livro no carnaval de 2010 e ter terminado na quaresma de 2011! E como não começo a ler outro livro sem terminar o do momento, vergonha de contar com uma lista de 1 livro lido em 2010. UM!

Porém, disposta a mudar esse quadro, venho vos falar do único livro que li em 2010: Sheila morreu mas continua vivendo em Nova York. Sheila Levine é uma jovem de 30 anos que tinha por objetivo de vida se casar. Não sendo necessariamente um conceito de beleza (semi-gorda, judia, cabelos crespos e nariz protuberante), não exigia muito de suas experiências amorosas, tanto é que perdeu a virgindade num encontro literalmente às escuras, namorou por anos um rapaz extremamente chato e nada bonito, que recusou seu pedido de casamento (sim, ela fez a proposta!), viajou pra Europa na esperança de lá encontrar e se apaixonar por um François francês, e não tendo nenhum sucesso nas suas inúmeras tentativas, começa a planejar sua morte (compra caixão, lápide, encomenda um rabino que tenha coragem de dizer no seu discurso o verdadeiro motivo de sua morte e até compra pílulas no mercado negro com o auxílio de seu último affair – que por conseguir pílulas pra parceira suicidar, deduz-se não ser nada normal!).

Seu último ato então consiste em escrever seu bilhete suicida: o livro, narrado, portanto, na primeira pessoa. Ao mostrar as revelações íntimas, obscuras e divertidamente constrangedoras de Sheila aos pais, Gail Parent nos faz mergulhar nesse universo da protagonista que, já na década de 60, vivia o dilema encontrado por qualquer moça dos tempos modernos: existir num mundo onde a liberação sexual contrasta com a pressão de se casar. Ela ainda teve a sorte de viver numa Nova York cuja estatística era de 103 garotas para cada 100 garotos (com a certeza de ser uma das 3 que sobravam). Imagine nós, brasileiras, convivendo com números que chegam a 300 garotas para cada 100 garotos?

Uma leitura agradável e divertida pras 200 garotas remanescentes!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Julgamentos




Homens e mulheres têm preferências diferentes, adultos e crianças têm necessidades diferentes, eu e você temos gostos diferentes. E assim acontece com todos os seres humanos, com suas preferências, necessidades e gostos. Quais estão, portanto, certos ou errados?

Porém, mesmo conscientes dessas divergências, desde pequenos somos acostumados a julgar as outras pessoas com tais conceitos: você está certo. Fazer isso, dessa forma que você está fazendo, está errado. Esquecemos que a nossa visão é reduzida às nossas próprias percepções, preferências e experiências. Julgamos o outro, baseados em nosso código de valores, nossas percepções e naquilo que nossa imaginação cria a respeito de cada pessoa com a qual convivemos, sem fazer qualquer tipo de investigação prévia, sem conhecer seu passado e sem saber o que a levou a tomar determinada atitude.

Apenas nos baseamos no sistema judiciário, que se fundamenta em leis pré-concebidas com o objetivo de garantir a convivência civilizada entre os seres humanos, e colocamo-nos na figura de juízes implacáveis julgando a torto e a direito aqueles que não se enquadram em nossos hábitos e não foram codificados conforme nossos costumes.

E repare no que estou fazendo aqui: julgando todos aqueles que fazem julgamentos!

Devemos, na verdade, olhar os outros como diferentes, e não como iguais, pois cada ser humano tem e é um universo particular. Devemos aceitar mais, compreender melhor e respeitar indistintamente o outro como ele é. Julgar menos e ser mais feliz. Taí uma boa proposta pra essa quaresma!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Simplesmente ame


Esse é um texto que poderia ter sido escrito por mim, mas não foi. Alguém teve a ideia antes... Mas deu vontade de compartilhar com vocês!

"Ame a lembrança que se tem da infância, aqueles mil e um roxos nos joelhos e os primeiros passos de patins. Ame quando você for criança e achar que seu pai é o homem mais grande desse mundo, mas ame mais quando você descobrir que ele é sim o mais importate. Ame o abraço de uma amiga verdadeira que você descobriu e que juntas vocês conquistaram o mundo apenas sentadas debaixo de uma árvore. Ame quando você descobrir que não existe só uma amizade assim, e que no decorrer da vida você descobre que cada pessoa passa por você na fase certa, fazendo disso ela única naquele momento. Ame um sorriso seu mas ame mais um sorriso pra você. Ame a primeira flor e bombons que você ganhar, guarde a caixa e suspire inúmeras vezes quando olha-lá . Ame aquela ligação de madrugada das suas amigas berrando e dizendo que amam você. Ame mais ainda aquela outra ligação, no começo da noite pra te desejar um “dorme bem”. Ame o abraço da sua mãe depois de uma longa conversa sobre amores e amigos. Ame aquele domingo em família. Ame todos seus aniversários. Ame as borboletas, mas ame mais quando elas voarem dentro de você e ai sim, ame. Ame e ame demais seu pai e sua mãe em todo o momento. Ame suas primas. Ame aquelas férias de uma semana a qual você conheceu pessoas eternas. Ame aquela velha e boa amiga do tempo de criança que diz “eu sempre torci por você” a cada derrota ou vitória sua. Ame a saudade, mas ame mais ainda a hora de matar ela. Ame crianças e bagunça e cães, é claro. Ame e festeje o pôr do sol, mas ame mais ele nascendo. Ame o primeiro amor, e encontre o segundo para amar ainda mais. Ame uma festa até às seis da manhã, mas ame mais o dez que você tirou na prova que vinha na manhã seguinte. Ame sua sorte, seu cabelo e seu perfume. Ame o sol. Ame as suas músicas. Ame seus medos, ame o que passou o que está acontecendo e o que está por vir, apenas ame… E depois de um tempo que você amar, se amar… comece tudo de novo, mas dessa vez, faça diferente, ensine alguém a amar… você!"

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Trocas


Tenho ouvido muitas coisas com um mesmo sentido: não existem boas ações altruístas. Ou seja, tudo que se faz nessa vida, se faz esperando um retorno. Ninguém se dedica a alguém pelo simples ato da caridade, mas pela espera de uma recompensa. Até Friends já tocou no assunto. No episódio Aquele em que Phoebe odeia a PBS, Joey diz que não existe ação realmente altruísta, já que as pessoas, na visão dele, só fazem boas ações para se sentirem bem.

Desde pequenos somos condicionados a isso. Lembro de ouvir minha mãe dizer: "Se você se comportar, te dou um chocolate". Mas tenho trabalhado muito comigo mesma para fazer o bem sem esperar nada em troca. Ainda não alcancei esse nível, pois me sinto bem fazendo trabalhos voluntários e muitas vezes chego a pensar que me sinto melhor que as pessoas a quem ajudo. Uma troca que acaba me beneficiando ainda mais! Mas simplesmente amar é o mandamento maior, é o que Deus espera de nós, e é o que me esforço a fazer: Amar pelo que a pessoa é, e não pelo que ela faz em troca desse amor. 

Tenho ainda algumas fraquezas: mesmo que me disciplinando todo o tempo para não esperar gratidão, confesso não ser evoluída o suficiente para tolerar ingratidão explícita. Mas persisto na luta pra alcançar isso e poder praticar uma boa ação realmente altruísta. Como a própria Phoebe bem disse: "Eu vou achar um boa ação altruísta. Porque eu acabei de parir três crianças e não vou deixar eles crescerem num mundo onde Joey está certo"!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mudança



Minha tia, leitora assídua do blog, me pediu pra escrever sobre mudança. A partir do momento que ela falou isso só conseguia me lembrar de um soneto de Camões, e cada vez que comecei a escrever esse post só pensava no tal soneto, como ficaria legal um post: “Mudança” com apenas a trasncrição do Soneto. E não escrevia nada. Hoje fiz uma proposta pra mim mesma: Mudar meu pensamento e escrever o que eu penso sobre mudança, e não fazer uma mera citação.

Mudar é essencial na vida do ser humano. Alguém já disse que viver é a arte de mudar! E é mesmo. Ainda que não queiramos, que gostemos do que somos e nos consideremos satisfeitos por ter chegado aonde chegamos, somos obrigados a mudar. Sempre.

Mudamos porque a todo o momento passamos por experiências que são capazes de nos fazer aprender com os erros e com os acertos que nos trazem. E mudamos consequentemente por saber como não errar mais naquela situação.

Mudamos porque amadurecemos. E por amadurecer, criamos a consciência de que, ainda que a possibilidade de mudança provoque insegurança (desde um simples corte de cabelo até uma proposta de morar em outro país), é preciso mudar e encarar os desafios de frente.

Mudamos porque conhecemos pessoas diferentes a cada dia. E elas nos instigam à mudanças, ou porque nos inspiram ou porque nos decepcionam. Queremos ser como elas. Queremos ser diferente delas. Queremos ser melhor que elas. Queremos ser melhor que nós mesmos. Só não dá pra querer mudar alguém. A mudança é um processo que começa de dentro pra fora!

Mudar traz medo. Mas eu tenho essa consciência de que tudo vai mudar. Eu vou mudar. E como não posso evitar, procuro manter sempre minha essência. Depois de tantas mudanças a gente cria a consciência do que há de bom em nós mesmos, e então podemos deixar que a mudança aja apenas sobre o resto!

E agora que consegui fazer o texto pra minha tia, deixo pra ela um trecho do Soneto:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança
Todo o Mundo é composto de mudanças
Tomando sempre novas qualidades
Continuamente vemos novidades
Diferentes em tudo da esperança
Do mal, ficam as mágoas na lembrança
E do bem, se algum houve, as saudades...

P.S.: Tia Didi, já disse que te amo hoje?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Orkut



Das inúmeras ferramentas que a internet nos proporciona, as redes sociais ganharam destaque. Já tinha ouvido falar em algumas do estilo par perfeito, mas até então não tinha me interessado em nenhuma (convenhamos que o desespero pra se inscrever em tais páginas é absurdo!), até receber o convite de uma amiga pra entrar no Orkut (Sim! Era necessário ter um convite!). Nunca tinha ouvido falar, mas por ser uma pessoa querida, entrei.

A proposta era boa. Diferente das salas de bate papo, e dos tais sites de relacionamentos, ali eu só teria contato com quem eu quisesse ter. E se minha escolha fosse me relacionar apenas com pessoas conhecidas (que de fato foi a escolha feita), no Orkut isso era possível.

Comecei a utilizar bastante por estar saindo do 3º ano e poder ter ali todos os amigos do ensino médio. Mais tarde me aventurei pelas comunidades e descobri uma do colégio que estudei dos 06 aos 15 anos. UAU! Pessoas que não via há anos estavam ali, com 12 fotos exibidas pra eu ver o que tinha acontecido ao longo desse tempo. E daí pra encontrar vizinhos, familiares distantes e amigos de infância foi um pulo!

Depois o Orkut bombou! Ao encontrar alguém na rua, nossa despedida era: Tem Orkut? Me adiciona lá pra gente manter contato! Fotos eram tiradas com poses planejadas para o Orkut! E tudo era motivo pra abrir comunidade! Certa vez criamos uma pro meu primo: Eu já vi a bunda do Daniel. 18 membros! Sacanagem!

Mas não se tratava só de amizade e sacanagem! O amor ali também se expressava! Depoimentos quilométricos com “Eu te amo” aos montes! Prova de amor era colocar committed! E claro, os perfis a dois, que evitavam crises de ciúme, depoimentos escondidos e mostravam o quanto apaixonado estava aquele casal!

Depois de um tempo os depoimentos viraram recados secretos. Mas o melhor eram os depoimentos escondidos em que o remetente escrevia ao final: APAGA DEPOIS DE LER, e o destinatário coitado, aceitava! Segredos revelados!

Começaram então com algumas mudanças que, na minha opinião, foi um dos motivos pra queda do orkut, juntamente com o surgimento de outras redes sociais que traziam mais novidades, como twitter e facebook. Uma das primeiras mudanças foi a ampliação do álbum de fotos. As piriguetes fizeram a festa nessa época! Um álbum pra cada balada! Mas aí já não era pra qualquer um ver! Bloquearam as fotos, os scraps, e tudo ficou confuso! Criaram um tal de buddy poke, mas a revolta maior foi a criação da “bina”, que denuncia quem a gente visitou! O orkut perdeu seu sentido original (fuxicar a vida alheia!). Eu mesma só uso pra baixar séries! Mas ele teve e tem o seu lugar, mesmo que seja na lembrança!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Entre amigas


Quando o papo é amizade, nós mulheres temos basicamente três tipos: a amizade com mulheres, com homens e com gays. Haverá um tempo de falar sobre cada uma, mas hoje reservei um espacinho pra falar das minhas amigas mulheres, e para minhas amigas mulheres, por ser hoje uma data especial para uma delas!

Desses três tipos de relacionamento, se tem um que eu gosto, em particular, é de ter amigas mulheres. Já ouvi dizer que mulheres não conseguem ser amigas, verdadeiramente. Dizem que elas sentem inveja e são falsas! Mas verdadeiramente, essas pessoas não sabem o que dizem!

É muito bom ter amigas! Existe entre nós uma cumplicidade, um carinho e uma compreensão que são indescritíveis! Tenho amigas que sei o que estão pensando só de olhar! Tenho amigas que não preciso nem olhar... E olhando pra trás, me bate uma saudade tão grande de cada amiga que passou na minha vida, e uma saudade tão grande de mim mesma quando estava com elas...

Amigas de infância, amigas da família, primas, irmãs e tias, amigas de escola, da faculdade, do estágio e do trabalho, amigas mais velhas, mais novas, santas e desbocadas, discretas, sérias, nerds e engraçadas, choronas, críticas, melosas, confidentes, conselheiras, baladeiras e caseiras, irritantes, esnobes e indispensáveis, que te colocam em enrascadas e que fazem tudo por você. A mãe da sua afilhada. A madrinha da sua filha.

Temos a mãe. A avó. A filha. A médica. A psicóloga. A chefe. E aquela que é uma irmã pra você. E tem também a melhor amiga. Aquela. Que é simplesmente aquela. Claro que os homens também sabem ser bons amigos. Também deixam ótimas lembranças. Mas nada é igual a amizade entre duas mulheres.

Um grande beijo pras minhas amigas que vierem a ler isso, pras que não vão ler, praquelas que estão perto de mim, e pras que eu não vejo há um tempão! Praquelas que eu lembro a todo minuto e praquelas que eu esqueci. A vida vale a pena principalmente por causa de vocês!

P.S.: Feliz Aniversário Marina!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os opostos se atraem



De tudo que vejo, e ouço, e sinto, e observo, se tem um coisa com a qual eu não concordo é essa frase!

Penso que quando a gente começa a interagir com uma pessoa procuramos, de imediato, pontos em comum. Vamos conhecendo-a para ver se combinamos, se nos completamos, e se nos identificamos.

Conforme vamos encontrando esses pontos em comum, a relação fica mais agradável. Fica fácil emprestar um livro, convidar pro teatro, ou pro cinema, conversar horas no telefone, programar finais de semana juntos, ir pra balada, ou pro sertanejo, ou pro samba, ou pro show de heavy metal ou da Maria Gadú, chamar pra almoçar e depois ver filme...

Se ao contrário, encontramos alguém, como diz a frase, totalmente oposta, a pessoa passa a ser, aos nossos olhos, detestável. Parece que, propositalmente, ela discorda de tudo o que falamos, só pra irritar! Mas é só o jeito dela, e se insistimos nessa relação é porque acreditamos que podemos mudá-la. Ou porque ela acredita que irá mudar-nos. Não dá certo!

E não falo só da relação homem – mulher. Para dar certo com uma pessoa, seja ela um amigo, professor, marido, parceiro, namorado, aluno, colega de sala, enfim, qualquer uma, você tem que amar basicamente as mesmas coisas. E vou adiante. Tem que também detestar basicamente as mesas coisas. O resto é fantasia.

Porque, na minha opinião, os opostos podem até se atrair... Mas só os iguais permanecerão juntos!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Estreitar laços



Quem tem twitter com certeza já ouviu falar de @HugoGloss. Ele começou como um mero cover de Christian Pior, personagem do pânico que, fazendo sátira ao estilista francês, Christian Dior, tece comentários ao estilo e comportamento das celebridades. Hoje o tal Hugo Gloss assume personagem próprio como sátira ao alfaiate alemão Hugo Boss e segue a mesma linha de humor ácido de Christian Pior.

Sigo o Hugo Gloss não tanto pelos “baphos” que ele traz do mundo dos famosos, mas pelos seus “BOM DIAS” de cada manhã! Só a título de exemplo, sobre as novas modinhas ele twittou “BOM DIA você que vê o Fiuk e o Restart coloridos e quer andar igual na rua. Evite a grama, ou poderá ser confundido com 1 teletubbie. Cuidado”, sobre a Lady Gaga: “BOM DIA Lady GaGa! Sua gagueira está cada dia + evidente. Depois de po po poker face, ma ma ma romamama agora ale alejandro. Médico já!”, na estreia de Alice no país das maravilhas de Tim Burton “BOM DIA você que viu ALICE e achou péssimo, mas finge que amou porque é cult! Não tenha vergonha de preferir o da Disney! Tim Burton é p/ poucos e loucos” e no dia seguinte às eleições: “BOM DIA você que votou no Tiririca! Se mate ao som de Florentina. O Brasil não precisa de você, beijos.”

No BOM DIA de hoje ele soltou: “BOM DIA você que depois do twitter não liga + p/ ninguém, nem manda SMS, só trabalha c/ DM! Olha a pobreza, fifi! Vai economizar os 140 caracteres também?”

E pensando bem, a gente acha que essa era digital é capaz de nos aproximar das pessoas, mas acaba nos afastando! Por um lado, é fantástico quando achamos aquele amigo de infância que não vemos há muito tempo no Orkut. Por outro, é péssimo vê-lo só por lá! O pessoal do colégio não tem mais festas pra reunir e relembrar! A facilidade de ter as pessoas ao alcance ali mesmo, no MSN, acaba nos distanciando ainda mais!

Estreitar laços! É isso que eu coloquei como meta para minhas próximas semanas.

Porque ter relações superficiais com as pessoas é muito cômodo pra gente! Não ter que se envolver, ajudar, aconselhar... Mas elas não nos acrescentam muita coisa. O que importa é ter comunhão e andar junto! Isso sim é o que Deus quer de nós, e é o que a gente não consegue cumprir de dentro da bolha que fazemos da nossa vida. Do que adianta você ter 300 conhecidos e não saber nada da vida deles? Não que a gente tenha que ser confidente de todo mundo, porque com certeza rola todo o lance de afinidades e tudo o mais, mas dividir nossas alegrias e tristezas, isso sim, com toda a certeza, vem d’Ele.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E se o príncipe encantado não encantar?



Dia desses minha mãe e minha vó estavam conversando.

Minha mãe:
- Por que a sra. nunca trabalhou fora?
E minha vó:
- Na minha época não tinha disso. Mulher era criada pra casar.

E reparando bem, mulher não era criada pra casar naquela época. Mulher É criada pra casar NESSA ÉPOCA! Logo quando nascemos nossos pais já ouvem: É mulher! Vai ter que pagar pela festa de casamento! A menina mal nasceu e já estão falando da sua festa de casamento!

Quando entramos pra faculdade há toda aquela expectativa que lá vamos encontrar um marido. A probabilidade é maior, as pessoas lá tem gostos parecidos, tomaram decisões semelhantes... E se saímos de lá sem ele é aquela decepção! Tá ficando pra tia! E homem? Não fica pra tio?

Pra não falar das nossas historinhas infantis: Cinderela, Branca de Neve, A bela adormecida, A bela e a fera, todas felizes para sempre com seus respectivos príncipes encantados! Na vida real é o caso das pessoas que encontraram um cara bacana quando novinhas e passam praticamente a vida inteira com ele. Acontece, mas não é comum.

Mas e as meras mulheres comuns? O que acontece se o príncipe encantado não encantar? Viramos a bruxa? Frustrada, feia e com uma verruga no nariz?

O “Era uma vez...” tinha que começar de outro jeito. A princesa sabe que assim como ela, existem muitas outras princesas, em muitos outros castelos, com quem vale a pena conversar, rir, falar bobeiras e comer brigadeiro de colher numa tarde vazia! Que existem vários reinos mágicos, e que elas podem trabalhar muito e sair por aí para conhecer cada um deles! Que alguns príncipes gostam de outros príncipes, mas que parecem verdadeiros bobos da corte e sabem como mimar princesas! Uma tarde com eles as deixará renovadas! Que a rainha também é amiga, e está ai pro que der e vier!

As mulheres têm que entender que é preciso gostar demais de si mesma, se amar demais, se dar valor e ter consciência de que são muito felizes, independentemente de qualquer outra pessoa. Que uma boa companhia não faz a vida ser completa. Só a deixa mais agradável. Depois disso tudo é que se torna possível encontrar o verdadeiro encanto da vida!

E se o príncipe encantado não encantar? Tiramos ele da história!

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