sexta-feira, 29 de abril de 2011

Bullying




Há muito tempo venho querendo falar sobre esse tema aqui no blog, desde quando, numa festa na casa de uma amiga, um grupo de pessoas revelou as violências que sofreu, tanto físicas quanto psicológicas, nos tempos de escola. E levamos pro lado da brincadeira, questionando porque o assunto não ficou “famoso” na nossa época! Seríamos ricos só com o dinheiro dos inúmeros processos que teríamos ganhado!

Bullying é uma prática que existe há muito tempo. São atos de violência (física ou psicológica) intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do ingês bully = "valentão") com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender. Não sei por que trouxeram o tema à tona só agora, sendo que já deviam ter falado sobre o assunto há tempos! Talvez porque as agressões tenham aumentado, em quantidade e gravidade. Talvez porque quem sofre o bullying começou a responder com violência também. Mas talvez não teria chegado a tal ponto se a prática tivesse sido contida quando ainda era maneirada.

Quando aconteceu aquele massacre na escola do Rio de Janeiro, no início do mês passado, aumentou minha vontade de escrever. O assassino era vítima de bullying. E pelo que pareceu, procurou vítimas que o lembravam de seus agressores passados. Mas o assunto já estava saturado na internet e me fez desistir. Ontem assisti um episódio de Glee que retratou isso, e quem assiste a série sabe o quanto os personagens principais são vítimas de bullying. Na verdade, esse é o único ponto em comum entre eles! Mas ontem eles estavam dispostos a mostrar como convivem bem com esses pequenos defeitos que os tornam diferentes, e como são esses pequenos defeitos que os tornam únicos. E essa é, na minha opinião, o que diferencia o comportamento das vítimas no futuro. Que diferencia aquelas que se tornam felizes daquelas que se tornam frustradas: a aceitação pessoal. E não pensem que falo isso porque é fácil superar apenas o apelido de quatro olhos... Quatro olhos foi o mais agradável dos apelidos! Eu era gordinha, usava óculos, aparelho, cabelo aneladão, tinha pernas tortas (que me deixava com joelhos constantemente vermelhos de mercúrio nos machucados adquiridos nas quedas) e achava lindo usar camisa pra dentro da calça, cintura alta, claro. Nas brincadeiras tipo verdade/conseqüência, onde todas as meninas eram contempladas com selinhos dos meninos mais gatinhos, eu era obrigada a passar no corredor da morte, onde todas as crianças faziam fila pra dar socos e chutes. E na educação física era a última a ser escolhida pra um time (óbvio, com aquelas pernas tortas hahaha). Com o tempo a gente adquire prática pra se desvencilhar dessas atitudes dos colegas. Mas até chegar a esse ponto é um longo caminho... E nesse caminho a ajuda e carinho da família e dos verdadeiros amigos (geralmente aqueles que sofrem como a gente) são fundamentais. Você sente que não precisa se adequar aos padrões malucos da sociedade pra ser querido. E muitas vezes você é querido justamente por não fazer parte desses padrões malucos! Assim como os personagens de Glee, visto a camisa e assumo todos meus defeitos! Foram eles que me fizeram o que sou hoje! E quer saber? Ô pessoa feliz que esses defeitos foram capazes de fazer!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A vida sem meu credicard


Na minha casa nunca houve essa história de mesada. Quer alguma coisa? Pede. Se tiver condições e merecimento, ganha. As minhas amigas achavam essa história meio absurda, mas eu não importava. No final das contas, acabava ganhando mais que se tivesse uma mesada fixa.

Hoje vejo o outro lado da história, o lado ruim. Não aprendi a ter controle! Minha mãe fazia isso por mim, então quando comecei a fazer estágio e ganhar meu dinheirinho, descobri meu lado consumista. Um lado bastante aflorado! E com uma remuneração um tanto quanto baixa, não demorou muito tempo pra eu me enrolar toda com as dívidas do cartão de crédito! Cheguei ao cúmulo de sair com minha prima pro “griffe show”, uma feira de produtos de marca em promoção, e estourar dois cartões de crédito, gastar toda a bolsa-auxílio do estágio e dar cheques, que não sabíamos nem como preencher.

O final do curso e conseqüente final do estágio me obrigou a tomar uma atitude (pra mim, drástica) na vida: cancelar o cartão de crédito! Até arrumar um emprego não poderia contar com esse luxo.

Gostei tanto da idéia que até hoje não fiz outro! Hoje sou uma pessoa que vive feliz com o cartão de débito e as compras à vista! De vez em quando dá vontade de aceitar uma dessas propostas que chegam mensalmente pelo correio, e constantemente tenho crises da mão tremer quando vejo uma roupa incrível na promoção e lembro que na minha conta não há dinheiro que pague, ainda que na promoção... Mas tenho resistido por 15 meses!

terça-feira, 5 de abril de 2011

TOP FIVE (Blogs)

Não é a toa que pensei em fazer um blog. Na verdade já tive um, mas não se parecia em nada com este daqui. Não escrevia muito, só costumava postar imagens e frases. Quando havia textos, eram escritos por outras pessoas. Hoje qualquer internauta que se preze sabe que a sensação da internet são os blogs, e eu, particularmente, passo horas nesses universos particulares. Leio muitos muito bons, como blogs sobre cinema, sobre atualidades, mas têm cinco que visito religiosamente toda semana, alguns até todo dia:


TE DOU UM DADO? – Minha melhor amiga fala que às vezes acha que escrevo nesse blog escondida! O te dou um dado é um blog de fofoca diferente. Eles não se atêm a contar a fofoca de determinada celebridade, ou mesmo de uma subcelebridade. Eles pegam a fofoca e dão aquele toque sarcástico. Alguns personagens ganham até coluna própria, como Susanices, The Theo Becker Show e Jaque Khury. Cômico e fantástico!


CHATA DE GALOCHA – A chata de galocha é uma mineira daqui de BH conhecida em todo o Brasil! É designer gráfico, trabalha como freelancer, e de chata não tem nada! É um blog diferenciado por conter um pouco sobre tudo: moda, maquiagem, roupas e sapatos, principalmente, mas também fala sobre viagens, filmes, seriados... Como é daqui da minha cidade, aproveito muitas dicas de lojas com promoção ou barzinhos e restaurantes legais!


MANUAL DO CAFAJESTE (PARA MULHERES) – Nem sob tortura eu conto como achei esse blog! hahaha Fato é que achei e viciei! O “cafa”, como ele mesmo se intitula, é publicitário em São Paulo e escreve esse blog pra mostrar a nós, mulheres, como funciona a cabeça de um homem! Tem várias colunas fixas e úteis, dentre elas a sexta das leitoras, onde ele transcreve uma história enviada por uma leitora e faz seus comentários que indicam os erros e acertos da garota. Na maioria das vezes erros! Com um tempo lendo o blog, nós mesmas já sabemos indicar quais são os erros: nas histórias do blog, das amigas, e nas nossas próprias histórias!


O FANTÁSTICO MUNDO DE NICOLE – Uma fofa que já foi miss São Paulo e dá várias dicas de moda, fotografando seus próprios looks pra mostrar como é simples ser fashion. Ela sabe diversificar tanto as peças de roupas que parece até que nunca as repete! Só reparando bem pra encontrar alguma coisa já usada anteriormente. Além disso, como está sempre viajando pros States, montou uma lojinha virtual que nos permite usar as roupas dela! Um luxo!


KARIN IZUMI – A blogueira Karin Izumi traz uma proposta diferente de todos os blogs que conheço. Faz uma combinação de imagens e frases/textos que se encaixam perfeitamente! Tem um grupo de e-mails no yahoo, o Jardim dos Girassóis, por onde ela envia essas mensagens, e algumas selecionadas vão para o blog. Uma terapia virtual!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Comer Rezar Amar


Com esse título, esse post poderia falar sobre mim! Uma pessoa que se resume a isso: comer, rezar, amar. O resto das coisas que faço são, ou conseqüências desses três atos, ou mero preenchimento de horas vagas. Mas vou falar do filme, que leva o mesmo título!

Tudo começa quando Liz e seu marido decidem que ela sossegaria, teria filhos e se dedicaria mais ao lar. Sem ter certeza de que é isso que realmente quer naquele momento, ela se desespera ao ouvir o marido dizer que vai voltar pra faculdade, e como atitude desesperada ela começa a rezar, costume que nunca tinha tido até então. Resolve sair do casamento e já engata em outro relacionamento, com um ator “zen” que desperta nela um lado religioso. Percebendo que com ele teria um casamento com rumo similar ao primeiro, decide fazer uma viagem pela Itália, Índia e Indonésia. Os três destinos escolhidos começam com a letra I, tradução do inglês para EU, que revela sua busca pessoal, e é nessa viagem que percebemos a complexidade do universo feminino.

Sua estada na Itália foi recheada dos prazeres da gula! Bate aquela fome ao assistir o filme! Além do prazer encontrado no comer sem culpa, no comer sem se preocupar em engordar, no comer até se fartar, ela ainda descobre o prazer de não fazer nada, pregado pelos italianos. Na Índia, ela se dirige ao templo da guru do último namorado. Confronta ali a dor da qual pensava já estar curada para, finalmente, perdoar-se. Conta, para isso, com a ajuda de dois amigos: Tulsi, uma jovem indiana que sonha seguir carreira como psicóloga, mas acaba num casamento arranjado, e Richard, um texano que a leva a conhecer seus próprios limites. Finalmente, em Bali, Liz reencontra um xamã que conhecera outrora. Conhece ainda três figuras que se tornarão importantes na sua história: uma doutora da floresta, sua filha, e Felipe, um brasileiro interpretado pelo charmoso espanhol Javier Bardem.

História, trilha, fotografia, atuações, tudo em harmonia para um filme nota 10. Para quem gosta de viajar, um despertar da vontade de embarcar no próximo avião. Para quem gosta de comer, uma coceirinha na mão pra dar pause e preparar um lanchinho. Para as mulheres, uma reflexão, e para os homens, um passeio para o complexo universo feminino, seja o de uma menina de 04 anos, seja o de uma idosa de muitos anos!

P.S.: Feliz aniversário Aninha! Companhia perfeita, seja pra comer, seja pra rezar! Quanto ao amor, dedico o meu todo a você hoje!

terça-feira, 22 de março de 2011

Sheila morreu mas continua vivendo em Nova York


Que vergonha! Não por andar por aí com um livro que muitas pessoas literalmente julgaram pela capa! Cansei de ver pessoas me olhando com um olhar duvidoso, pensando, imagino eu, o que muitas outras pessoas falaram: Romance pornô, Natália?

Não, não é um romance pornô! E não, minha vergonha definitivamente não se atém a esse detalhe. Sinto vergonha de, sendo uma fã incondicional de leitura, jamais ter falado de um livro sequer num blog que já escrevo há oito meses! Vergonha de ter ganhado esse livro no carnaval de 2010 e ter terminado na quaresma de 2011! E como não começo a ler outro livro sem terminar o do momento, vergonha de contar com uma lista de 1 livro lido em 2010. UM!

Porém, disposta a mudar esse quadro, venho vos falar do único livro que li em 2010: Sheila morreu mas continua vivendo em Nova York. Sheila Levine é uma jovem de 30 anos que tinha por objetivo de vida se casar. Não sendo necessariamente um conceito de beleza (semi-gorda, judia, cabelos crespos e nariz protuberante), não exigia muito de suas experiências amorosas, tanto é que perdeu a virgindade num encontro literalmente às escuras, namorou por anos um rapaz extremamente chato e nada bonito, que recusou seu pedido de casamento (sim, ela fez a proposta!), viajou pra Europa na esperança de lá encontrar e se apaixonar por um François francês, e não tendo nenhum sucesso nas suas inúmeras tentativas, começa a planejar sua morte (compra caixão, lápide, encomenda um rabino que tenha coragem de dizer no seu discurso o verdadeiro motivo de sua morte e até compra pílulas no mercado negro com o auxílio de seu último affair – que por conseguir pílulas pra parceira suicidar, deduz-se não ser nada normal!).

Seu último ato então consiste em escrever seu bilhete suicida: o livro, narrado, portanto, na primeira pessoa. Ao mostrar as revelações íntimas, obscuras e divertidamente constrangedoras de Sheila aos pais, Gail Parent nos faz mergulhar nesse universo da protagonista que, já na década de 60, vivia o dilema encontrado por qualquer moça dos tempos modernos: existir num mundo onde a liberação sexual contrasta com a pressão de se casar. Ela ainda teve a sorte de viver numa Nova York cuja estatística era de 103 garotas para cada 100 garotos (com a certeza de ser uma das 3 que sobravam). Imagine nós, brasileiras, convivendo com números que chegam a 300 garotas para cada 100 garotos?

Uma leitura agradável e divertida pras 200 garotas remanescentes!
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